Pois é uma sinfonia agridoce esta vida
Tente viver dentro de seus recursos
Você é um escravo do dinheiro então você morre
Eu vou te levar pela única estrada onde já estive
Você sabe, aquela que te leva aos lugares
Onde todas as veias se encontram
Sem mudanças, eu posso mudar
Eu posso mudar, eu posso mudar
Mas estou aqui em minha forma
Estou aqui no meu molde
Mas sou um milhão de pessoas diferentes
De um dia para o outro
Não posso mudar minha forma não, não, não
Bem, eu nunca rezei
Mas hoje estou de joelhos, sim
Preciso ouvir alguns sons que identifiquem a dor em mim, sim
Vou deixar a melodia brilhar vou deixá-la limpar minha mente
Me sinto livre agora
Mas as ondas do ar estão limpas
E não há ninguém cantando para mim agora
REFRÃO
Sem mudanças, eu posso mudar
Eu posso mudar, eu posso mudar
Mas estou aqui em minha forma
Estou aqui no meu molde
Mas sou um milhão de pessoas diferentes
De um dia para o outro
Não posso mudar minha forma não, não, não
Pois é uma sinfonia agridoce esta vida
Tente viver dentro de seus recursos
Você é um escravo do dinheiro então você morre
Eu vou te levar pela única estrada onde já estive
Você sabe, aquela que te leva aos lugares
Onde todas as veias se encontram
REFRÃO
Você sabe que eu posso mudar, eu posso mudar
Eu posso mudar, eu posso mudar
Mas estou aqui em minha forma
Estou aqui no meu molde
Mas sou um milhão de pessoas diferentes
De um dia para o outro
Não posso mudar minha forma não, não, não
Não posso mudar minha forma
não, não, não
Não posso mudar
Não posso mudar meu corpo
não, não, não
Eu vou te levar pela única estrada onde já estive
Eu vou te levar pela única estrada onde já estive
Onde já estive
Já estive
Já estive
Já estive
Já estive
Você algum dia já esteve lá?
Você algum dia já esteve lá?
The Verve - Bittersweet Symphony
Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Tell me why
Me Diga Porque?
Em meu sonho, crianças cantam uma canção de amor para cada garoto e garota
O céu é azul e campos são verdes e risos são a linguagem do mundo
Então eu acordo e tudo que eu vejo é um mundo cheio de pessoas necessitadas
Me diga porque (porque) tem que ser assim?
Me diga porque (porque) tem algo que eu perdi?
Me diga porque (porque), pois eu não entendo.
Quando tantos precisam de alguém, nós não damos uma ajuda.
Me diga porque?
Todo dia eu me pergunto, o que eu preciso fazer para ser um homem?
Eu preciso ficar e lutar para provar a todos quem sou eu?
É isso que minha vida é, por perder em um mundo cheio de guerras?
Me diga porque (porque) tem que ser assim?
Me diga porque (porque) tem algo que eu perdi?
Me diga porque (porque), pois eu não entendo.
Quando tantos precisam de alguém, nós não damos uma ajuda.
Me diga porque?
Me diga porque? Me diga porque?
Me diga porque? Me diga porque?
Só me diga, porque, porque, porque?
Me diga porque (porque) tem que ser assim?
Me diga porque (porque) tem algo que eu perdi?
Me diga porque (porque), pois eu não entendo.
Quando tantos precisam de alguém, nós não damos uma ajuda.
Me diga porque (porque, porque o tigre corre)
Me diga porque (porque, porque nós atiramos com uma arma)
Me diga porque (porque, porque nós nunca aprendemos)
Alguém pode nos dizer porque nós deixamos a floresta queimar?
(porque, porque nós dizemos que nos importamos)
Me diga porque (porque, porque nós ficamos e assistimos)
Me diga porque (porque, porque os golfinhos choram)
Alguém pode nos dizer porque nós deixamos o oceano morrer?
(porque, porque se todos nós somos iguais)
Me diga porque (porque, porque nós passamos a culpa)
Me diga porque (porque, porque isso nunca acaba)
Alguém pode nos dizer porque nós podemos ser apenas amigos?
Soneto do Amor Total

A lua que não te dei

Compreendo pais - e me encanto com eles - que desejariam dar o mundo de presente aos filhos. E, no entanto, abomino os que, a cada fim de semana, dão tudo o que filhos lhes pedem nos shoppings onde exercitam arremedos de paternidade.. E não há paradoxo nisso. Dar o mundo é sentir-se um pouco como Deus, que é essa a condição de um pai. Dar futilidades como barganha de amor é, penso eu, renunciar ao sagrado.
Volto a narrar, por me parecer apropriado à croniqueta, o que me aconteceu ao ser pai pela primeira vez. Lá se vão, pois, 45 anos. Deslumbrado de paixão, eu olhava a menina no berço, via-a sugando os seios da mãe, esperneando na banheira, dormindo como anjo de carne. E, então, eu me prometia, prometendo-lhe: 'Dar-lhe-ei o mundo, meu amor.' E não lhe dei. E foi o que me salvou do egoísmo, da tola pretensão e da estupidez de confundir valores materiais com morais e espirituais.
Não dei o mundo à minha filha, mas ela quis a Lua. E não me esqueço de como ela pediu, a Lua, há anos já tão distantes. Eu a carregava nos braços, pequenina e apenas balbuciante, andando na calçada de nosso quarteirão, em tempos mais amenos, quando as pessoas conversavam às portas das casas. Com ela junto ao peito, sentia-me o mais feliz homem do mundo, andando, cantarolando cantigas de ninar em plena calçada. Pois é a plenitude da felicidade um homem jovem poder carregar um filho como se acariciando as próprias entranhas. Minha filha era eu e eu era ela. Um pai é, sim, um Pequeno Deus, o criador. E seu filho, a criatura bem amada.
E foi, então, que conheci a importância e os limites humanos.. Pois a filhinha - a quem eu prometera o mundo - ergueu os bracinhos para o alto e começou a quase gritar, assanhada, deslumbrada: 'Dá, dá, dá...' Ela descobrira a Lua e a queria para si, como ursinho de pelúcia, uma luminosa bola de brincar. Diante da magia do céu enfeitado de estrelas e de luar, minha filha me pediu a Lua e eu não lhe pude dar.
A certeza de meus limites permitiu, porém, criar um pacto entre pai e filhos: se eles quisessem o impossível, fossem em busca dele. Eu lhes dera a vida, asas de voar, diretrizes, crença no amor e, portanto, estímulo aos grandes sonhos. E o sonho da primogênita começou a acontecer, num simbolismo que, ainda hoje, me amolece o coração. Pois, ainda adolescente, lá se foi ela embora, querendo estudar no exterior. Vi-a embarcar, a alma sangrando-me de saudade, a voz profética de Kalil Gibran em sussurros de consolo:
'Vossos filhos não são vossos filhos, mas são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Eles vem através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. (...) Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.'
Foi o que vivi, quando o avião decolou, minha criança a bordo. No céu, havia uma Lua enorme, imensa. A certeza da separação foi dilacerante. Minha filha fora buscar a Lua que eu não lhe dera. E eu precisava conviver com a coerência do que transmitira aos filhos: 'O lar não é o lugar de se ficar, mas para onde voltar'..
Que os filhos sejam preparados para irem-se, com a certeza de ter para onde voltar quando o cansaço, a derrota ou o desânimo inevitáveis lhes machucarem a alma. Ao ver o avião, como num filme de Spielberg, sombrear a Lua, levando-me a filha querida, o salgado das lágrimas se transformou em doçura de conforto com Kalil Gibran: como pai, não dando o mundo nem Lua aos filhos, me senti arqueiro e arco, arremessando a flecha viva em direção ao mistério.
Ora, mesmo sendo avós, temos, sim e ainda, filhos a criar, pois família é uma tribo em construção permanente. Pais envelhecem, filhos crescem, dão-nos netos e isso é a construção, o centro do mundo onde a obra da criação se renova sem nunca completar-se. De guerreiros que foram, pais se tornam pajés. E mães, curandeiras de alma e de corpo. É quando a tribo se fortalece com conselheiros, sábios que conhecem os mistérios da grande arquitetura familiar, com régua, esquadro, compasso e fio de prumo. E com palmatória moral para ensinar o óbvio: se o dever premia, o erro cobra.
Escrevo, pois, de angústias, acho que angústias de pajé, de í ndio velho. A nossa construção está ruindo, pois feita em areia movediça. É minúsculo o mundo que pais querem dar aos filhos: o dos shoppings.. E não há mais crianças e adolescentes desejando a Lua como brinquedo ou como conquista. Sem sonhos, os tetos são baixos e o infinito pode ser comprado
Na construção familiar, temos erguido paredes. Mas, dentro delas, haverá gente de verdade?
Cecílio Elias Netto (escritor e jornalista).
Canção Excêntrica

Vai ...

Para sonhar o que poucos ousaram sonhar.
Para realizar aquilo que já te disseram que não podia ser feito.
Para alcançar a estrela inalcançável.
Essa será a tua tarefa: alcançar essa estrela.
Sem quereres saber quão longe ela se encontra;
nem de quanta esperança necessitarás;
nem se poderás ser maior do que o teu medo.
Apenas nisso vale a pena gastares a tua vida.
Para carregar sobre os ombros o peso do mundo.
Para lutar pelo bem sem descanso e sem cansaço.
Para enxugar todas as lágrimas ou para lhes dar um sentido luminoso.
Levarás a tua juventude a lugares onde se pode morrer, porque precisam lá de ti.
Pisarás terrenos que muitos valentes não se atreveriam a pisar.
Partirás para longe, talvez sem saíres do mesmo lugar.
Para amar com pureza e castidade.
Para devolver à palavra “amigo” o seu sabor a vento e rocha.
Para ter muitos filhos nascidos também do teu corpo e – ou – muitos mais nascidos apenas do teu coração.
Para dar de novo todo o valor às palavras dos homens.
Para descobrir os caminhos que há no ventre da noite.
Para vencer o medo.
Não medirás as tuas forças.
O anjo do bem te levará consigo, sem permitir que os teus pés se magoem nas pedras.
Ele, que vigia o sono das crianças e coloca nos seus olhos uma luz pura que apetece beijar, é também guerreiro forte.
Verás a tua mão tocar rochedos grandes e fazer brotar deles água verdadeira.
Olharás para tudo com espanto.
Saberás que, sendo tu nada, és capaz de uma flor no esterco e de um archote no escuro.
Para sofrer aquilo que não sabias ser capaz de sofrer.
Para viver daquilo que mata.
Para saber as cores que existem por dentro do silêncio.
Continuarás quando os teus braços estiverem fatigados.
Olharás para as tuas cicatrizes sem tristeza.
Tu saberás que um homem pode seguir em frente apesar de tudo o que dói, e que só assim é homem.
Para gritar, mesmo calado, os verdadeiros nomes de tudo.
Para tratar como lixo as bugigangas que outros acariciam.
Para mostrar que se pode viver de luar quando se vai por um caminho que é principalmente de cor e espuma.
Levantarás do chão cada pedra das ruínas em que transformaram tudo isto.
Uma força que não é tua nos teus braços.
Beijá-las-ás e voltarás a pô-las nos seus lugares.
Para ir mais além.
Para passar cantando perto daqueles que viveram poucos anos e já envelheceram.
Para puxar por um braço, com carinho, esses que passam a tarde sentados em frente de uma cerveja.
Dirás até ao último momento: “ainda não é suficiente”.
Disposto a ir às portas do abismo salvar uma flor que resvalava.
Disposto a dar tudo pelo que parece ser nada.
Disposto a ter contigo dores que são semente de alegrias talvez longe.
Para tocar o intocável.
Para haver em ti um sorriso que a morte não te possa arrancar.
Para encontrar a luz de cuja existência sempre suspeitaste.
Para alcançar a estrela inalcançável.
Memória
Amar o perdido deixa confundido este coração. Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não. As coisas tangíveis tornam-se insensív...
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Amo-te tanto, meu amor ... não cante O humano coração com mais verdade ... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade. A...
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Te olho nos olhos e você reclama... Que te olho muito profundamente. Desculpa, Tudo que vivi foi muito profundamente... Eu te ensinei...
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Sempre transformando o mundo em sonhos, Alma que elabora vida e enriquece-a com am or, Alma que sofre, Alma que sabe ser amiga nas situações...